Está em cada poesia
Em cada lágrima
Em cada carícia
Na vida, meu amigo,
Os melhores casos de amor
São aqueles jamais vividos
Domingo, Maio 20, 2012
Quarta-feira, Maio 09, 2012
Pra onde?
Pra onde esse ônibus vai?
- Não sei!
Por que entrei nele?
- Não sei...
... talvez para não chegar.
- Não sei!
Por que entrei nele?
- Não sei...
... talvez para não chegar.
Terça-feira, Maio 08, 2012
A distância diária de cada um
O dia finda e todos falam ao celular
Penso em meus problemas
Lembro das pessoas que me esqueceram
Me esqueço das que talvez se lembrem de mim
A meu lado todos ao celular
Cada passante da escura estação
Fala ao celular
Eu, invisível, os observo
E guardo a íntima companhia
de meu bloquinho de anotações
Um deles pergunta:
- O que está fazendo?
Outro responde em outra órbita:
- Estou a caminho, mas vou demorar!
Outros falam de suas teses,
dissertações, dores e do bebê
que acabara de nascer
Penso na ausência
de cada um dos interlocutores
que não consigo ver
E vejo o olhar distante daqueles
que conversam em suas caixinhas de falar
Tudo é ausência e distância
Penso em meus problemas
Lembro das pessoas que me esqueceram
Me esqueço das que talvez se lembrem de mim
A meu lado todos ao celular
Cada passante da escura estação
Fala ao celular
Eu, invisível, os observo
E guardo a íntima companhia
de meu bloquinho de anotações
Um deles pergunta:
- O que está fazendo?
Outro responde em outra órbita:
- Estou a caminho, mas vou demorar!
Outros falam de suas teses,
dissertações, dores e do bebê
que acabara de nascer
Penso na ausência
de cada um dos interlocutores
que não consigo ver
E vejo o olhar distante daqueles
que conversam em suas caixinhas de falar
Tudo é ausência e distância
Sexta-feira, Abril 20, 2012
Saudade (Augusto dos Anjos)
E porque hoje (20/04) seria aniversário do poeta Augusto do Anjos, resolvi publicar esse poema. A obra dele foi muito importante para que eu me apaixonasse tanto pela poesia, ainda no início da adolescência.
Saudade
Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.
À noite quando em funda soledade
Minh'alma se recolhe tristemente,
Pra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.
E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,
Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.
Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.
À noite quando em funda soledade
Minh'alma se recolhe tristemente,
Pra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.
E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,
Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.
Terça-feira, Abril 10, 2012
Pulsar
Sou tão frágil
Quanto as paredes
De meus vasos sanguíneos
Que, fortes, suportam
a pressão da vida
Que em mim circula
Tenho tantas certezas
Quanto o sol
Que me esquenta a pele
todas as tardes
Não sei até quando
ele estará ali
mas confio no
calor que me aquece
até que chegue a dúvida,
que tal qual a lua
toma o lugar do sol
leva minhas certezas
para o vão do nada
Nesse momento
Sinto toda a fragilidade
Da minha vida
Que forte pulsa
Quanto as paredes
De meus vasos sanguíneos
Que, fortes, suportam
a pressão da vida
Que em mim circula
Tenho tantas certezas
Quanto o sol
Que me esquenta a pele
todas as tardes
Não sei até quando
ele estará ali
mas confio no
calor que me aquece
até que chegue a dúvida,
que tal qual a lua
toma o lugar do sol
leva minhas certezas
para o vão do nada
Nesse momento
Sinto toda a fragilidade
Da minha vida
Que forte pulsa
De cima para baixo
Ou debaixo para cima...
Da vida não sei nada...
Logo após serem tomadas
Muitas decisões parecem erradas
Como saber ... o caminho a seguir?
Como saber... sobre ficar ou ir?
Como saber?
Sábado, Abril 07, 2012
Ela
Olhos suaves
Abraços apertados
Mãos desajeitadas
Primeiro me tomou o ventre
Depois me preencheu a vida
Espaçosa e delicada
Inteligente e perspicaz
Cada sorriso seu
Alegrias ímpares me traz
Minha pequena Maria
Meu imenso amor
Abraços apertados
Mãos desajeitadas
Primeiro me tomou o ventre
Depois me preencheu a vida
Espaçosa e delicada
Inteligente e perspicaz
Cada sorriso seu
Alegrias ímpares me traz
Minha pequena Maria
Meu imenso amor
Quarta-feira, Março 28, 2012
Bailando
Levarei a imagem na memória
Você cinza
Dançando no escuro
Um baile de braços, pernas e cabelos
Uma dança sem cor
Que quando aporta na lembrança
Me colore o coração
Lillian Bento
Segunda-feira, Janeiro 30, 2012
Enganos
Quando finalmente me livrei de tudo que eu pensava me fazer mal,
percebi que me havia me livrado de mim mesma. E agora?!
Quarta-feira, Julho 06, 2011
Apropriações
"A cada traço seu desenho vai mudar
Novas cores na paleta vão surgir
E nesse espaço disponível pra pintar
Novos atores da sua tela vão partir
Deixando a imagem do passado em seu lugar
Em paralelo atravessando seu sentir
Pra que lado você pende?
Em que volta você está?
Tudo depende de qual figura você quer formar.
Não adianta tentar apagar com a borracha
Virar a página também não é solução
Quando uma reta em nosso desenho se encaixa
Fica pra sempre uma mancha, uma linha, um borrão"
Trecho da música Pêndulo de Paulinho Moska
Sexta-feira, Junho 17, 2011
Indagações fora de lógica
Será o fim surpreendente?
Algo diferente do que parece o lógico,
nesse roteiro surreal da vida?
Afinal, para que serve a lógica?
Insensatez
Estupidez humana!
Ela quer entender,
Sem saber que é impossível
entender o enredo de uma vida
A vida a gente sente
A gente pulsa
A gente experimenta
E se um dia eu,
Em minhas experimentações,
Fizer algo fora de lógica
não lamente, julgue ou se espante
Mesmo que eu pareça estar louca
Saiba: estarei feliz!
Feliz por romper com a lógica que limita as vidas
Pensar demais é sentir de menos
É a morte lenta em dias desertos.
Texto: Lillian Bento (17.06.11)
Foto: Ana Rita Vidica (2008 em Charazani/Bolívia)
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